Industria Salineira registra crescimento e se recupera em 2013

Rio Grande do Norte conta com 35 salinas com alta produtividade (Foto: Raul Pereira)
A indústria salineira potiguar terá um ano de recuperação com expectativa de produzir seis milhões de toneladas até o final deste ano, segundo estimativas de empresários do setor, que representa cerca de 95% da produção nacional de sal marinho e conta com 35 salinas atuando no mercado. Alguns fatores, entre eles o baixo índice pluviométrico, que ocasionou a escassez de chuvas e uma das piores secas no semiárido nordestino nos últimos anos alavancou as atividades nas salinas.
“Chuvas abaixo da média como também muitas salinas após 2010 ampliaram as áreas da produção e surgiram também novas a partir da aquisição de áreas que estavam destinadas a carcinicultura e se tornaram áreas aproveitadas pelas salinas, o que refletiu no crescimento da produção”, explicou o diretor comercial da Henrique Lage Salineira do Nordeste, segunda maior salineira do país, Duilo Oliveira.
Segundo dados do mercado potiguar, em 2008 e 2009 houve uma escassez do produto em virtude das chuvas acima da média como também em 2011, mas o momento é de recuperação. “A curva agora está mudando de direção e subindo. Ano passado já foi de recuperação de estoque e 2013 deverá ser superior chegando bem próximo da casa de seis milhões de toneladas de sal marinho que o Estado lidera no Brasil”, informou Duilo.
De acordo com o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Extração do Sal no Estado do Rio Grande do Norte (Siesal-RN), Airton Torres, o Rio Grande do Norte conseguirá fechar o ano em números de produção de forma a continuar com um produto com grande oferta e competitividade ainda mais forte. “O RN é líder no Brasil com a produção do sal por evaporação solar, nosso produto é de muito boa qualidade e rivaliza com outros de boa qualidade que vários outros países também produzem”, explicou o empresário também diretor da Salinor, maior produtora de sal do Brasil.
Para 2014, as projeções das principais salinas potiguares são de manutenção de crescimento produtivo.
Produção deve retomar exportações
A produção do sal potiguar é destinada quase totalmente para o mercado interno. Em 2011, apenas cerca de 7% do sal produzido no Estado foi destinado à exportação enquanto que em 2012 esse número caiu para 2%.
“A exportação caiu bastante nos últimos dois anos porque o mercado interno, além de remunerar melhor, ganhou prioridade com a queda na produção. O quadro de exportação deverá voltar a subir novamente porque é o mercado que vai absorver o excedente”, destacou Duilo Oliveira.
Os principais países que importam o sal potiguar estão na África (Camarões, Nigéria) e América do Norte (Estados Unidos e Canadá). Para Airton Torres, no exterior as salinas potiguares têm cada vez mais reconhecimento e credibilidade. “O Rio Grande do Norte é visto como um parceiro comercial confiável que tem qualidade, competitividade e cumpre prazos combinados”, enfatizou o vice-presidente do Siesal-RN.
Indústria de derivados e preços competitivos
O mercado salineiro potiguar produz os dois principais tipos de derivados: o sal grosso, o sal moído e o sal refinado (de cozinha). Segundo Duilo Oliveira, o maior volume de produção é o de sal grosso a granel, consumido pela indústria química. “Ele é consumido in natura, principalmente pela indústria de soda e cloro”, explicou o diretor da Henrique Lage.
O sal moído é um produto que passa por beneficiamento e sua destinação após sair das salinas potiguares é a indústria de alimentos e agronegócios. Enquanto que o sal refinado é o utilizado pela maioria dos consumidores.
“O sal (cloreto de sódio) é uma commodity que se diferencia apenas por teores químicos estranhos a ele e insolúveis. O nosso tem tido uma afeição adicional, em alguns segmentos de mercado, por ser natural obtido por evaporação solar da água do mar”, disse Airton Torres.
A alta produtividade registrada em 2013 também fez com que o preço médio da tonelada comercializada tivesse queda de 64% nos últimos quatro anos. “Não há cartel no sal porque o preço varia de acordo com a chuva. Se houve aumento de preço não foi combinação de salineiro, mas o mercado de commodities sempre oscila na lógica de oferta e demanda que eleva ou reduz o preço. A projeção é que em 2013 a tonelada feche o ano em R$ 80, uma queda de 64% em relação ao ano de 2009, quando se registrava R$ 228 por tonelada o que determina preço não é cartel. É a oferta de produção”, enfatizou Duilo Oliveira.
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